sabe aquela fala de que sofrimento envelhece?
estava eu aqui brincando de maquiagem, senão pela primeira vez na vida, pelo menos pela primeira vez que me lembro.
ando notando, há alguns meses, que a coisa deu uma caída.
lá em 2012, no aniversário do meu irmão que, como sempre é campeão em detonar minha parca auto-estima:
essas bolsas sob os olhos estão péssimas.
assim. do nada. de repente, um míssil te acerta, e o que era território seguro não é mais.
claro que não foi de repente. mas eu realmente não andava me olhando no espelho.
as bolsas melhoraram. nada como começar a dormir um pouco melhor e ser um pouco mais feliz.
gravem isso: de novo, envelhecimento relacionado a sofrimento.
(pq era assim que eu estava pensando mesmo sem saber que estava)
de uns tempos pra cá, pós sumiço das bolsas, ando reparando na pele. molinha, sabe? as pálpebras meio que esticam e não voltam pro lugar... e ando cuidando mais, passando creme, usando maquiagem. então, eu não sei como era antes, pq antes eu não cuidava e não olhava. não tenho muito parâmetro, imagino que era mais firme, talvez mais fácil pra passar o lápis... se eu passasse lápis.
e pensando agora enquanto pinto meus olhos, de novo, se eu pelo menos não tivesse sofrido tanto... (drama queen)
lembrei de uma amiga. e ela dizendo que nos últimos anos deu mesmo uma caída, pensei mas ela sofreu tanto.
sim. na minha cabeça, má qualidade da pele está relacionada a sofrimento emocional. e se eu for pesquisar no google, aposto que acho uma batelada de pesquisas relacionadas a isso (ou relacionando a má qualidade da pele a falta de sexo. argh. me irrita esse pensamento).
daí nos últimos meses, ando prestando atenção em como a mulherada sofre com essa pressão.
não que eu não enxergasse antes.
só que agora os 40 estão mais perto do que os 30, então.
uma colega de trabalho chorando pq precisava de uma plástica na região dos olhos. e fez. e honestamente, eu gostava bem mais antes.
tem uma senhora que almoça no mesmo lugar que eu. ela me assusta um pouco, o medo do espelho. toda esticada, mas com as dobras nos cantos, como que escondidas só que não. todo o corpo trabalhado (cheio de dobras nos cantos tbm). e sempre penso, que pena que ela não percebeu que envelhecer é melhor que a outra alternativa.
eu podia contar que esses dias ela foi almoçar só com o jaleco do hospital (ela é médica), sem calça com a bunda de fora. mas desqualifica, né? e quem nunca esqueceu as calças? eu já.
a verdade é que todos os dias eu preciso me lembrar que é melhor envelhecer. preciso me lembrar tanto que virou um mantra diário. preciso deixar de lado a cobrança das outras pessoas, além da minha, por um corpo melhor, uma pele melhor, um cabelo melhor, ai, que cansaço. preciso me lembrar de manter a coerência do discurso.
pq por um momento me esqueci. e a consulta com o cirurgião plástico é segunda-feira.
e agora, moleque? vou-não-vou, faço-não-faço, o-importante-é-o-que-eu-sou?
no campo do ideal, tá fácil.
no dia a dia é que o bicho pega.
e não, envelhecer não é sinônimo de sofrimento, tristeza não causa rugas. o que causa rugas é o tempo, que, graças aos deuses, pra algumas pessoas é longo.
espero ficar bem enrugadinha.
as vezes a coisa por aqui pode até ficar meio melancólica. blog ligeiramente confessional.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
sábado, 4 de janeiro de 2014
0 2013
no último ano aprendi diversas coisas.
as que eu mais gostei foram sobre mim.
não importa se tenho 35. como antes, como aos 15, tenho um defeito que parece incurável: a intempestividade.
eu não sabia a palavra, até ontem, conversando com a eva sobre o carma. parece que esse é o meu.
tento mudar, todas as vezes. especialmente quando vejo que estou a ponto de explodir. tento conter. tento ser ponderada, refletir, calar, mas jorra, tudo jorra daqui...
ontem, naquele local coxinha em que eu trabalho, entra uma das supremas e começa a reclamar sobre o programa de distribuição de leite aos alunos. porra. respirei fundo, mas mesmo quando tento me conter, as pessoas provocam.
blablablá, pq isso é um absurdo, vc não acha?
não, não acho.
cricricri. sim, foi o momento. sou responsável por vários momentos cricricri, eu e minha grande boca.
saí da sala. se ficasse, explodiria. eu sempre explodo.
não, não estou orgulhosa do meu defeito. mas eu o reconheço. assumo. e me aceito.
de tanto o tio nei insitir com o respira, acabei mesmo aprendendo. bom, com o defeito da intempestividade, é o mínimo que posso fazer.
briguei muito esse ano. briguei principalmente contra as injustiças. nenhuma foi confortável, todas doeram, as internas então, cacete, tive vontade de socar minha própria cara algumas vezes. não ganhei todas, não me lembro de ter ganhado nenhuma. mas acredito que todas valiam a pena.
briguei para me defender de algumas acusações que considerei e considero injustas, briguei pelo meu direito de ter mudado, briguei para poder ser eu mesma. vou continuar brigando por isso.
no começo de 2013, fui processada. não foi confortável. eu sabia que não estava errada, que não havia possibilidade de perder, mas putaqueopariu, ô sensação desagradável essa.
precisei de um advogado, mas o que o marquinhos nem desconfia é que precisei dele para me conter. meu medo era precisar abrir a boca na audiência e... brigar.
a bea se queimou seriamente.
a bea foi diagnosticada com labirintite. para algumas pessoas isso é bobeira, para outras pessoas, assustador. para mim é bobeira, pq o que pouca gente sabe é que a suspeita, enquanto realizávamos todos os exames, era de um tumor cerebral. a labirintite, portanto, é uma benção daqui do lugar onde estou sentada.
eu achava que era uma pessoa de raízes, mas descobri que gosto de ter rodas nos pés. viajei muito em 2013, se considerar meus padrões anteriores. comecei com guarujá, depois ubatuba, rio de janeiro (duas vezes), piacatu, mato grosso do sul... teria voltado à argentina se tudo estivesse mais tranquilo por aqui.
e mais importante: todas essas viagens foram feitas com o maior prazer.
andei de avião de novo e nem chorei dessa vez, até curti.
troquei de emprego. não gostei no começo, gostei no meio e agora no final continuo gostando. o final não precisa ser final, mas ainda não tenho certeza de nada. para que certeza?
fiz amigos absolutamente deliciosos! sandra, lívia, néia, vanessa, elizabete, cleuber, marcio e as nossas manhãs divertidíssimas. estressantes tbm com aqueles diretores loucos, mas tê-los comigo fez toda a diferença.
curei uma velha dor de cotovelo. mais importante que isso, desconstruí um personagem que eu, sozinha, inventei. o cara que eu amei nunca existiu, e embora isso pareça dramático, é muito verdade. vivi um pequeno período de luto quando descobri isso, mas foi bom. e agora posso até ser amiga sem frescuras. entender as vezes aquele velho clichê de que o que a gente ama é o amor, ou o espelho, é bom pra caralho.
meu tio parou de beber. são só 6 meses e ele vai ser alcoólatra para sempre, mas o que importa é o agora. agora ele está sóbrio, agora ele dá paz para minha avó, que me dá paz! ele se cuida melhor, ela se cuida melhor, eu me cuido melhor, a bea se cuida melhor... estamos todos juntos, né? o que afeta um, afeta o outro.
meu irmão aprontou, foi jubilado da usp, e não existe nenhum mas para eu escrever sobre isso. fiquei triste, fiquei puta, e tento lembrar todos os dias que é a vida dele, são as escolhas dele.
aprendi a me amar. eu sei, é uma vergonha que isso só tenha acontecido aos 35 anos. voltei a me olhar no espelho. eu sei de novo, é ridículo, mas eu não me olhava mais. gostei do que vi, mas percebi que precisava de uns consertos... corri aos médicos, fiz os exames, tratamentos, até no dentista, que fujo mais do que o diabo foge da cruz, eu fui! comecei a prestar mais atenção nas porcarias que coloco pra dentro, e devagarinho, comecei a emagrecer. sabe o que foi mais engraçado? comecei a emagrecer no momento em que, mesmo gorda, comecei a me achar bonita.
tem umas molezas. umas estrias novas, celulites que nunca tinham aparecido nas minhas belas pernocas, umas ruguinhas ao redor dos olhos... que eu gosto, pq gosto muito da alternativa de envelhecer!
essa foi a parte mais bacana: percebi que eu quero muito estar viva. eu não quero mais a morte.
tem muita coisa ainda e eu quero estar aqui para ver todas. talvez com a memória combalida, com os peitos caídos, cheia de rugas na testa, mas eu quero muito estar na vida.
as que eu mais gostei foram sobre mim.
não importa se tenho 35. como antes, como aos 15, tenho um defeito que parece incurável: a intempestividade.
eu não sabia a palavra, até ontem, conversando com a eva sobre o carma. parece que esse é o meu.
tento mudar, todas as vezes. especialmente quando vejo que estou a ponto de explodir. tento conter. tento ser ponderada, refletir, calar, mas jorra, tudo jorra daqui...
ontem, naquele local coxinha em que eu trabalho, entra uma das supremas e começa a reclamar sobre o programa de distribuição de leite aos alunos. porra. respirei fundo, mas mesmo quando tento me conter, as pessoas provocam.
blablablá, pq isso é um absurdo, vc não acha?
não, não acho.
cricricri. sim, foi o momento. sou responsável por vários momentos cricricri, eu e minha grande boca.
saí da sala. se ficasse, explodiria. eu sempre explodo.
não, não estou orgulhosa do meu defeito. mas eu o reconheço. assumo. e me aceito.
de tanto o tio nei insitir com o respira, acabei mesmo aprendendo. bom, com o defeito da intempestividade, é o mínimo que posso fazer.
briguei muito esse ano. briguei principalmente contra as injustiças. nenhuma foi confortável, todas doeram, as internas então, cacete, tive vontade de socar minha própria cara algumas vezes. não ganhei todas, não me lembro de ter ganhado nenhuma. mas acredito que todas valiam a pena.
briguei para me defender de algumas acusações que considerei e considero injustas, briguei pelo meu direito de ter mudado, briguei para poder ser eu mesma. vou continuar brigando por isso.
no começo de 2013, fui processada. não foi confortável. eu sabia que não estava errada, que não havia possibilidade de perder, mas putaqueopariu, ô sensação desagradável essa.
precisei de um advogado, mas o que o marquinhos nem desconfia é que precisei dele para me conter. meu medo era precisar abrir a boca na audiência e... brigar.
a bea se queimou seriamente.
a bea foi diagnosticada com labirintite. para algumas pessoas isso é bobeira, para outras pessoas, assustador. para mim é bobeira, pq o que pouca gente sabe é que a suspeita, enquanto realizávamos todos os exames, era de um tumor cerebral. a labirintite, portanto, é uma benção daqui do lugar onde estou sentada.
eu achava que era uma pessoa de raízes, mas descobri que gosto de ter rodas nos pés. viajei muito em 2013, se considerar meus padrões anteriores. comecei com guarujá, depois ubatuba, rio de janeiro (duas vezes), piacatu, mato grosso do sul... teria voltado à argentina se tudo estivesse mais tranquilo por aqui.
e mais importante: todas essas viagens foram feitas com o maior prazer.
andei de avião de novo e nem chorei dessa vez, até curti.
troquei de emprego. não gostei no começo, gostei no meio e agora no final continuo gostando. o final não precisa ser final, mas ainda não tenho certeza de nada. para que certeza?
fiz amigos absolutamente deliciosos! sandra, lívia, néia, vanessa, elizabete, cleuber, marcio e as nossas manhãs divertidíssimas. estressantes tbm com aqueles diretores loucos, mas tê-los comigo fez toda a diferença.
curei uma velha dor de cotovelo. mais importante que isso, desconstruí um personagem que eu, sozinha, inventei. o cara que eu amei nunca existiu, e embora isso pareça dramático, é muito verdade. vivi um pequeno período de luto quando descobri isso, mas foi bom. e agora posso até ser amiga sem frescuras. entender as vezes aquele velho clichê de que o que a gente ama é o amor, ou o espelho, é bom pra caralho.
meu tio parou de beber. são só 6 meses e ele vai ser alcoólatra para sempre, mas o que importa é o agora. agora ele está sóbrio, agora ele dá paz para minha avó, que me dá paz! ele se cuida melhor, ela se cuida melhor, eu me cuido melhor, a bea se cuida melhor... estamos todos juntos, né? o que afeta um, afeta o outro.
meu irmão aprontou, foi jubilado da usp, e não existe nenhum mas para eu escrever sobre isso. fiquei triste, fiquei puta, e tento lembrar todos os dias que é a vida dele, são as escolhas dele.
aprendi a me amar. eu sei, é uma vergonha que isso só tenha acontecido aos 35 anos. voltei a me olhar no espelho. eu sei de novo, é ridículo, mas eu não me olhava mais. gostei do que vi, mas percebi que precisava de uns consertos... corri aos médicos, fiz os exames, tratamentos, até no dentista, que fujo mais do que o diabo foge da cruz, eu fui! comecei a prestar mais atenção nas porcarias que coloco pra dentro, e devagarinho, comecei a emagrecer. sabe o que foi mais engraçado? comecei a emagrecer no momento em que, mesmo gorda, comecei a me achar bonita.
tem umas molezas. umas estrias novas, celulites que nunca tinham aparecido nas minhas belas pernocas, umas ruguinhas ao redor dos olhos... que eu gosto, pq gosto muito da alternativa de envelhecer!
essa foi a parte mais bacana: percebi que eu quero muito estar viva. eu não quero mais a morte.
tem muita coisa ainda e eu quero estar aqui para ver todas. talvez com a memória combalida, com os peitos caídos, cheia de rugas na testa, mas eu quero muito estar na vida.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
o bendito (?) do carma
liguei o computador pq precisava responder umas mensagens vencidas no facebook e odeio escrever pelo celular. daí, no meio do caminho, lembrei que precisava vomitar o que tem atormentado minha cabeça nas últimas semanas: carma.
estou vomitando, portanto, não quero ordem por aqui. tudo jorrando, aleatoriamente conforme o que me vem à cabeça no melhor estilo desabafo. quer dizer, mais ou menos, pq não consigo controlar o toc a ponto de não voltar e fazer as correções ortográficas e de digitação imediatamente...
anyway. caraio, o que é isso, tô pagando a língua??? sempre odiei essa englishização do português e aqui estou eu completamente dominada por isso.
carma.
na cabeça, o que ronda é:
aqui se faz, aqui se paga.
a vida (ou suas variáveis, como o universo, o mundo) devolve.
máximas do cristianismo:
não faça aos outros o que vc não quer que façam para você.
ame ao próximo como a ti mesmo (portanto, não cague na boca dele - ou isso aqui deveria estar após a máxima citada acima?)
e tem outras:
amor com amor se paga.
quem com ferro fere, com ferro será ferido.
gaahh. agora, imagina vc, tudo isso gritando dentro da sua cabeça, atordoando sua consciência e impedindo seu sono tranquilo há semanas?
tem motivos, claro. coisas que vão acontecendo ao redor, comigo e com as pessoas que estão na minha vida que, poooorra! dá uma novela. e das mexicanas, que eu tenho talento é para isso, como bem diria meu irmão thiago (apesar de eu discordar da criatura, hunf).
dá tbm um monte de baratos, tipo:
satisfação.
dor.
compaixão.
satisfação.
lamento.
eu te disse!
eu não disse?
decepção.
satisfação.
opa, mas péra, deixa eu exorcizar a vadia vingativa que habita meu corpo e tentar de novo:
compaixão.
lamento.
decepção.
satisfação... (um pouquinho que não sou de ferro)
o problema disso, ou a coisa boa é que de tanto pensar sobre o assunto, percebo também a armadilha que é acreditar em carma:
tá passando fome? carma - fez alguma coisa de ruim pra alguém.
perdeu tudo na enchente? carma - deve ser ruim que nem uma praga.
foi estuprada? carma - fica provocando.
quer dizer. é possível usar o tal do carma para quase tudo de ruim que acontece com as pessoas, coisas essas que poderiam ser evitadas se vivêssemos num mundo mais cooperativo, mais humano, mais solidário, mais amoroso... ai. tanta coisa poderíamos ser.
ah, eu e minhas digressões.
carma.
e o medo? se eu for um pouco má com alguém, vou pagar depois... outro instrumento de controle e culpa, esse carma!
ainda assim, e com tudo isso, como é que a gente explica esse monte de gente pagando pelo que fez?
vou ficar com a explicação do sábio dr. house: não é pq vc ama que vai dar certo, ou que vc não ama que vai dar errado e vice-versa. não é pq vc é uma pessoa boa que sua vida vai ser um sucesso e não é pq vc não é uma pessoa boa que a sua vida vai dar errado e vice-versa. não há garantias, todo mundo tem chances de se foder e chances de não. não há nenhuma magia cósmica nisso. quase uma roleta russa, essa vida.
no fim, vou me converter mesmo é a essa tal de aleatoriedade, sem deixar de lado, claro, o lance do diabo da estrutura na questão das injustiças sociais (pq nesse caso, não há aleatoriedade nenhuma).
mas isso é assunto pra próxima conversa. vou tentar dormir que parece que insônia é meu carma.
estou vomitando, portanto, não quero ordem por aqui. tudo jorrando, aleatoriamente conforme o que me vem à cabeça no melhor estilo desabafo. quer dizer, mais ou menos, pq não consigo controlar o toc a ponto de não voltar e fazer as correções ortográficas e de digitação imediatamente...
anyway. caraio, o que é isso, tô pagando a língua??? sempre odiei essa englishização do português e aqui estou eu completamente dominada por isso.
carma.
na cabeça, o que ronda é:
aqui se faz, aqui se paga.
a vida (ou suas variáveis, como o universo, o mundo) devolve.
máximas do cristianismo:
não faça aos outros o que vc não quer que façam para você.
ame ao próximo como a ti mesmo (portanto, não cague na boca dele - ou isso aqui deveria estar após a máxima citada acima?)
e tem outras:
amor com amor se paga.
quem com ferro fere, com ferro será ferido.
gaahh. agora, imagina vc, tudo isso gritando dentro da sua cabeça, atordoando sua consciência e impedindo seu sono tranquilo há semanas?
tem motivos, claro. coisas que vão acontecendo ao redor, comigo e com as pessoas que estão na minha vida que, poooorra! dá uma novela. e das mexicanas, que eu tenho talento é para isso, como bem diria meu irmão thiago (apesar de eu discordar da criatura, hunf).
dá tbm um monte de baratos, tipo:
satisfação.
dor.
compaixão.
satisfação.
lamento.
eu te disse!
eu não disse?
decepção.
satisfação.
opa, mas péra, deixa eu exorcizar a vadia vingativa que habita meu corpo e tentar de novo:
compaixão.
lamento.
decepção.
satisfação... (um pouquinho que não sou de ferro)
o problema disso, ou a coisa boa é que de tanto pensar sobre o assunto, percebo também a armadilha que é acreditar em carma:
tá passando fome? carma - fez alguma coisa de ruim pra alguém.
perdeu tudo na enchente? carma - deve ser ruim que nem uma praga.
foi estuprada? carma - fica provocando.
quer dizer. é possível usar o tal do carma para quase tudo de ruim que acontece com as pessoas, coisas essas que poderiam ser evitadas se vivêssemos num mundo mais cooperativo, mais humano, mais solidário, mais amoroso... ai. tanta coisa poderíamos ser.
ah, eu e minhas digressões.
carma.
e o medo? se eu for um pouco má com alguém, vou pagar depois... outro instrumento de controle e culpa, esse carma!
ainda assim, e com tudo isso, como é que a gente explica esse monte de gente pagando pelo que fez?
vou ficar com a explicação do sábio dr. house: não é pq vc ama que vai dar certo, ou que vc não ama que vai dar errado e vice-versa. não é pq vc é uma pessoa boa que sua vida vai ser um sucesso e não é pq vc não é uma pessoa boa que a sua vida vai dar errado e vice-versa. não há garantias, todo mundo tem chances de se foder e chances de não. não há nenhuma magia cósmica nisso. quase uma roleta russa, essa vida.
no fim, vou me converter mesmo é a essa tal de aleatoriedade, sem deixar de lado, claro, o lance do diabo da estrutura na questão das injustiças sociais (pq nesse caso, não há aleatoriedade nenhuma).
mas isso é assunto pra próxima conversa. vou tentar dormir que parece que insônia é meu carma.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
i like to move it, move it
pensei em começar com um é difícil começar tudo de novo.
pq as vezes acho que tô cansada, e já passou da hora de sossegar, ficar quieta, parar de inventar moda.
aliás, um parênteses aqui. quando a bea era pequena e eu ficava cansada de tanta agitação, dizia: fica quieta, menina. mas ela não parava nunca, e pulava na cama, subia no encosto do sofá e eu irritada,essa menina não me obedece.
até que um dia, depois de uma senhora bronca, ela entendeu e me fez entender. mas mãe, vc nunca me disse pra ficar parada, vc diz pra eu ficar quieta e quieta eu sempre fico!
acho que finalmente aprendi o silêncio com ela. é tanta discrição com a própria vida e a dos outros que acaba influenciando. mas tá sempre pra lá e pra cá, mexendo esse cuzinho seco sem sossego, fazendo exercícios de balé, dançando na frente do espelho, alongando. daí que a gente aprende pelo exemplo e eu já nem sei mais quem é exemplo pra quem, mas no fim das contas, eu não sei mais ficar parada tbm. até dói o corpo.
então não é difícil começar de novo pra quem nunca fica parada. movimento é vício, mudança tbm.
e lembrei de outra coisa por causa do que escrevi aí em cima, pq pensei ai,saco, vão falar que mãe é que tem que ser exemplo e tal.
que preguiça de caga-regra.
lembrei de uma conhecida me dizendo que mãe tem que ser mãe e não amiga. e de como todo mundo sempre tem uma regra sobre o jeito certo de ser mãe.
caí nessa por 15 anos, sempre me perguntando, me culpando. depois (faz uns meses), me toquei que esse entendimento do que é ser mãe tbm é uma construção. e que não tenho mais que ficar me preocupando com o que os outros, influenciados por milhares de aspectos, entendem disso.
recebo olhares enviesados, é verdade. mas aqui entre nós duas a coisa não podia caminhar melhor. e acho que essa é toda resposta que tenho pra dar.
e todas essas voltas (tô campeã nas digressões hj) pra contar que tô de trabalho novo. e tô detestando.
ainda bem que sempre dá pra mudar. de trabalho ou de ideia.
pq as vezes acho que tô cansada, e já passou da hora de sossegar, ficar quieta, parar de inventar moda.
aliás, um parênteses aqui. quando a bea era pequena e eu ficava cansada de tanta agitação, dizia: fica quieta, menina. mas ela não parava nunca, e pulava na cama, subia no encosto do sofá e eu irritada,essa menina não me obedece.
até que um dia, depois de uma senhora bronca, ela entendeu e me fez entender. mas mãe, vc nunca me disse pra ficar parada, vc diz pra eu ficar quieta e quieta eu sempre fico!
acho que finalmente aprendi o silêncio com ela. é tanta discrição com a própria vida e a dos outros que acaba influenciando. mas tá sempre pra lá e pra cá, mexendo esse cuzinho seco sem sossego, fazendo exercícios de balé, dançando na frente do espelho, alongando. daí que a gente aprende pelo exemplo e eu já nem sei mais quem é exemplo pra quem, mas no fim das contas, eu não sei mais ficar parada tbm. até dói o corpo.
então não é difícil começar de novo pra quem nunca fica parada. movimento é vício, mudança tbm.
e lembrei de outra coisa por causa do que escrevi aí em cima, pq pensei ai,saco, vão falar que mãe é que tem que ser exemplo e tal.
que preguiça de caga-regra.
lembrei de uma conhecida me dizendo que mãe tem que ser mãe e não amiga. e de como todo mundo sempre tem uma regra sobre o jeito certo de ser mãe.
caí nessa por 15 anos, sempre me perguntando, me culpando. depois (faz uns meses), me toquei que esse entendimento do que é ser mãe tbm é uma construção. e que não tenho mais que ficar me preocupando com o que os outros, influenciados por milhares de aspectos, entendem disso.
recebo olhares enviesados, é verdade. mas aqui entre nós duas a coisa não podia caminhar melhor. e acho que essa é toda resposta que tenho pra dar.
e todas essas voltas (tô campeã nas digressões hj) pra contar que tô de trabalho novo. e tô detestando.
ainda bem que sempre dá pra mudar. de trabalho ou de ideia.
sábado, 17 de agosto de 2013
hoje a gente vai pra parte meio confessional.
ontem estava conversando com um amigo que disse que sou "meio intelectual, meio de esquerda".
eu discordo muito disso.
não sou intelectual. meu estilo é bem mais o bobo alegre que qualquer outro.
quanto a ser de esquerda, até acho, mas queria mesmo era não entrar nessa caixinha aí.
mas o motivo disso é que outra amiga tava conversando comigo dizendo o quanto sou inocente com algumas coisas. como falo umas besteiras na inocência, e faço todo mundo rir e não me importo com o que estão pensando. meio que não é pra chocar, mas acaba surpreendendo.
pausa.
antes, eu não tinha nenhum filtro. depois, comecei a tomar cuidado com tudo que saia pela minha boca. agora deixo sair, assumindo o risco conscientemente.
tem gente que me acha louca? tem. que me acha chata? tem. sem noção? tbm. burra? e como tem!
se me acho louca, chata, sem noção, burra? as vezes.
na maioria delas, ufa, não acho.
a falta de filtro é uma escolha. a escolha de estar de um jeito diferente num mundo onde se pensa muito no que vai dizer, fazer. onde a gente não é o que é de verdade. então eu prefiro isso, de ser o que sou de verdade.
já fiz muito tipo.
já disfarcei o que pensava, o que sentia, o que gostava.
agora não. pq agora eu gosto de mim de verdade. e se alguém, uma pessoa que seja, puder gostar dessa eu de verdade, tá ótimo. melhor que um monte de gente gostando da máscara que estou usando.
(e meu amigo, no final das contas, concordou que sou uma boba alegre)
ontem estava conversando com um amigo que disse que sou "meio intelectual, meio de esquerda".
eu discordo muito disso.
não sou intelectual. meu estilo é bem mais o bobo alegre que qualquer outro.
quanto a ser de esquerda, até acho, mas queria mesmo era não entrar nessa caixinha aí.
mas o motivo disso é que outra amiga tava conversando comigo dizendo o quanto sou inocente com algumas coisas. como falo umas besteiras na inocência, e faço todo mundo rir e não me importo com o que estão pensando. meio que não é pra chocar, mas acaba surpreendendo.
pausa.
antes, eu não tinha nenhum filtro. depois, comecei a tomar cuidado com tudo que saia pela minha boca. agora deixo sair, assumindo o risco conscientemente.
tem gente que me acha louca? tem. que me acha chata? tem. sem noção? tbm. burra? e como tem!
se me acho louca, chata, sem noção, burra? as vezes.
na maioria delas, ufa, não acho.
a falta de filtro é uma escolha. a escolha de estar de um jeito diferente num mundo onde se pensa muito no que vai dizer, fazer. onde a gente não é o que é de verdade. então eu prefiro isso, de ser o que sou de verdade.
já fiz muito tipo.
já disfarcei o que pensava, o que sentia, o que gostava.
agora não. pq agora eu gosto de mim de verdade. e se alguém, uma pessoa que seja, puder gostar dessa eu de verdade, tá ótimo. melhor que um monte de gente gostando da máscara que estou usando.
(e meu amigo, no final das contas, concordou que sou uma boba alegre)
sexta-feira, 21 de junho de 2013
tava conversando com a vó maria ontem. ela tem uma característica que eu invejo todos os dias, todas as vezes que a gente se encontra, que a gente conversa.
ela sonha.
tem esperança, sabe?
contei isso pra ela e a primeira resposta veio ligeira.
vc precisa desligar, relaxar, respirar, saber que tem a hora de parar...
percebi por qual caminho ela estava indo e cortei.
não é desse sonho que estou falando, vó. quando eu durmo, esse sonho aí, de gente que dorme, eu tenho.
ah (ela faz um ah diferente dos outros. não é um ah só de quem entende. mistura entendimento com lamento e algum ressentimento).
eu não sonho, vó. não planejo. não penso no futuro de jeito nenhum.
vc precisa desligar, relaxar, respirar, saber que tem a hora de parar... e sair desse computador, desses livros! sua cabeça tá sempre cheia com as ideias dos outros!
vixe.
ela tem alguma razão.
ela sonha.
tem esperança, sabe?
contei isso pra ela e a primeira resposta veio ligeira.
vc precisa desligar, relaxar, respirar, saber que tem a hora de parar...
percebi por qual caminho ela estava indo e cortei.
não é desse sonho que estou falando, vó. quando eu durmo, esse sonho aí, de gente que dorme, eu tenho.
ah (ela faz um ah diferente dos outros. não é um ah só de quem entende. mistura entendimento com lamento e algum ressentimento).
eu não sonho, vó. não planejo. não penso no futuro de jeito nenhum.
vc precisa desligar, relaxar, respirar, saber que tem a hora de parar... e sair desse computador, desses livros! sua cabeça tá sempre cheia com as ideias dos outros!
vixe.
ela tem alguma razão.
domingo, 26 de maio de 2013
deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo
já tentei quase tudo nessa vida em termos de religião.
algumas coisas, nem foi por conta própria, pelo menos no início. lá de onde eu nem tenho memória, sei que teve um batizado na igreja católica e outro no terreiro de umbanda, os dois quase ao mesmo tempo, na mesma época. coisas da minha vó maria, mulher porreta que encontra Deus em todos os lugares em que vai.
na infância, fiz catequese, chatíssima por sinal. todo sábado de manhã tendo aulas que eu não entendia. me lembro que entendia tão vagamente o conceito de pecado que, momentos antes da primeira comunhão, não sabia o que confessar ao padre. e depois, com a penitência em mãos, também não entendia o que tinha que pagar... até que uma amiga me fez ajoelhar e fingi que rezava, pq já havia esquecido qual era o preço dos meus pecados.
na adolescência, me revoltei com Deus. não tinha grande apreço por nenhuma religião e achava tudo uma grande fantasia dos homens. passei anos atéia, mas uma atéia em dúvida. nunca tive certeza de que Deus não existia. eu acreditava que não, mas certeza não tinha, e olha que interessante: essa crença me exigia fé, eu que achava que não tinha esse material.
já adulta, comecei a frequentar um centro espírita aqui perto de casa. ia sábado pela manhã, assistia palestras, tomava passes... acho bacana essa dinâmica de pessoas orando pelo bem de outra. é bonito, não é egoísta, deixa a gente um pouco longe do individualismo que não nos deixa pensar nos outros. mas daí, assisti uma palestrante metendo o pau em outras religiões e fiquei tão puta que nunca mais voltei.
e ironia da vida, fui parar numa igreja evangélica. ironia pq como é sabido, khaleesi, evangélicos acham que só eles estão corretos e só eles estão salvos (salvos de quê, senhor-da-glória-infinda!). ali, me joguei. me batizei novamente, pela primeira vez por escolha, apesar de não acreditar que era necessário: Deus sempre nos reconhece, oras. pensar que ele repudia alguém, dentro da doutrina dessas igrejas, é só mais um dos muitos enganos cometidos.
acabei deixando também a igreja evangélica, e o engraçado é que nem foi por falta de fé. foi por excesso mesmo. eu não via mais no discurso majoritário dentro desses espaços a coisa que pra mim deveria ser a mais importante: o amor pelos outros (por favor, não me acusem de pieguice).
nesses anos longe, tenho pensado um bocado sobre Deus. e percebi que não importa a forma que dão pra ele, ou que eu dou pra ele. essa mania de ter razão é tão irritante quanto desnecessária. percebi que gosto mesmo é do jeito da minha avó de crer.
por isso que, agora, vou experimentar o budismo.
p.s.: ainda não sei o que confessar para o padre.
algumas coisas, nem foi por conta própria, pelo menos no início. lá de onde eu nem tenho memória, sei que teve um batizado na igreja católica e outro no terreiro de umbanda, os dois quase ao mesmo tempo, na mesma época. coisas da minha vó maria, mulher porreta que encontra Deus em todos os lugares em que vai.
na infância, fiz catequese, chatíssima por sinal. todo sábado de manhã tendo aulas que eu não entendia. me lembro que entendia tão vagamente o conceito de pecado que, momentos antes da primeira comunhão, não sabia o que confessar ao padre. e depois, com a penitência em mãos, também não entendia o que tinha que pagar... até que uma amiga me fez ajoelhar e fingi que rezava, pq já havia esquecido qual era o preço dos meus pecados.
na adolescência, me revoltei com Deus. não tinha grande apreço por nenhuma religião e achava tudo uma grande fantasia dos homens. passei anos atéia, mas uma atéia em dúvida. nunca tive certeza de que Deus não existia. eu acreditava que não, mas certeza não tinha, e olha que interessante: essa crença me exigia fé, eu que achava que não tinha esse material.
já adulta, comecei a frequentar um centro espírita aqui perto de casa. ia sábado pela manhã, assistia palestras, tomava passes... acho bacana essa dinâmica de pessoas orando pelo bem de outra. é bonito, não é egoísta, deixa a gente um pouco longe do individualismo que não nos deixa pensar nos outros. mas daí, assisti uma palestrante metendo o pau em outras religiões e fiquei tão puta que nunca mais voltei.
e ironia da vida, fui parar numa igreja evangélica. ironia pq como é sabido, khaleesi, evangélicos acham que só eles estão corretos e só eles estão salvos (salvos de quê, senhor-da-glória-infinda!). ali, me joguei. me batizei novamente, pela primeira vez por escolha, apesar de não acreditar que era necessário: Deus sempre nos reconhece, oras. pensar que ele repudia alguém, dentro da doutrina dessas igrejas, é só mais um dos muitos enganos cometidos.
acabei deixando também a igreja evangélica, e o engraçado é que nem foi por falta de fé. foi por excesso mesmo. eu não via mais no discurso majoritário dentro desses espaços a coisa que pra mim deveria ser a mais importante: o amor pelos outros (por favor, não me acusem de pieguice).
nesses anos longe, tenho pensado um bocado sobre Deus. e percebi que não importa a forma que dão pra ele, ou que eu dou pra ele. essa mania de ter razão é tão irritante quanto desnecessária. percebi que gosto mesmo é do jeito da minha avó de crer.
por isso que, agora, vou experimentar o budismo.
p.s.: ainda não sei o que confessar para o padre.
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