voltei correndo que ia ver tempestadas
(assim, no feminino, tanta beleza e fúria)
nada
monte de estrelas a vista
as vezes a coisa por aqui pode até ficar meio melancólica. blog ligeiramente confessional.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
aleatoriedades
tava bom.
teve 7 ondas, depois mais duas.
conversei muito com o mar na segunda-feira e depois ontem, enquanto ouvia músicas.
teve we are young pq já fui e as vezes ainda sou e me dá uma puta sensação de euforia coletiva.
santa chuva que já passou por aqui e eu mesma que cuidei de secar.
para ver as meninas. silêncio, por favor, enquanto esqueço um pouco a dor no peito.
outro lugar que tá errado, tá errado me querer quando convém (e seu eu não tô enganado acho que você me ama também).
presente passado e a canção que faltava, mas agora é tarde e eu não sabia mais sonhar e preferia só ficar sozinha nessa estrada.
the scientist because i'm lovely.
fix you pq mesmo muito cansada não posso dormir (se bem que gi e fe derrubam até a insone mais resistente).
any way you want it/ lovin', tochin', squeezin' cause he's lovin', he's touchin', he's squeezin' another.
heroes, linger, creep. falam com a minha alma, sei pq não.
heroes acho que por causa da cena linda da caminhonete no túnel em as vantagens de ser invisível (se você ainda não assistiu, assista) e por conhecer a felicidade de ouvir sem esperar uma música boa pra cacete. se bem que acho que a gente sempre esperança uma música boa pra cacete.
linger acho que para ouvir de mim do começo ao fim e acho que um monte mais de gente acha isso a seu próprio respeito também.
creep, puxa, além daquela guitarra tem aquele falsete do caralho daquele puto e i'm a creep i'm a weirdo.
do fundo do meu coração corroborou. cada vez que vi você chegar, me fazer sorrir e me deixar, decidido, eu disse: nunca mais. esse nunca mais é pra sempre. e como sou eu que estou falando, devo reforçar que esse pra sempre é pra sempre de verdade.
me dei conta do tamanho do amor que tava sentindo por tudo com nem cinco minutos guardados. as luzes querem me ofuscar. eu, só quero que me ceguem! foi tudo crescendo. o pôr do sol, o avanço da maré, a paz, o amor.
pensei que fosse o céu e meus dias nunca mais serão iguais.
voltei para o apartamento acompanhada por espelho, e me pergunto se alguém que já perdeu pai e/ou mãe consegue ouvir sem chorar ou pelo menos se emocionar profundamente. chorei, pq eu troquei de mal com Deus por me levar minha mãe e lembrei disso.
daí chorei de novo.
ê vida boa
ê vida à toa
ê vida voa
comecei a fazer contas:
giovanni já vai fazer 5
meus irmãozinhos passaram dos 20
eu e moscas completamos esse ano a maioridade de nossa amizade
bea, quase 17. quase 17. quase 17 (tô repetindo pra ver se uma hora vai soar mais real)
faz 20 anos desde 1995. quase 20 anos até outubro e, porra, não passa. mas não impede a felicidade.
quase 20 anos. e falta lhe confesso que ainda hoje faz.
opa. esse não é um post triste e eu não estou triste.
acho mesmo que 2015 é o ano da reconciliação por aqui.
p.s.: eu realmente amo voltar para casa
teve 7 ondas, depois mais duas.
conversei muito com o mar na segunda-feira e depois ontem, enquanto ouvia músicas.
teve we are young pq já fui e as vezes ainda sou e me dá uma puta sensação de euforia coletiva.
santa chuva que já passou por aqui e eu mesma que cuidei de secar.
para ver as meninas. silêncio, por favor, enquanto esqueço um pouco a dor no peito.
outro lugar que tá errado, tá errado me querer quando convém (e seu eu não tô enganado acho que você me ama também).
presente passado e a canção que faltava, mas agora é tarde e eu não sabia mais sonhar e preferia só ficar sozinha nessa estrada.
the scientist because i'm lovely.
fix you pq mesmo muito cansada não posso dormir (se bem que gi e fe derrubam até a insone mais resistente).
any way you want it/ lovin', tochin', squeezin' cause he's lovin', he's touchin', he's squeezin' another.
heroes, linger, creep. falam com a minha alma, sei pq não.
heroes acho que por causa da cena linda da caminhonete no túnel em as vantagens de ser invisível (se você ainda não assistiu, assista) e por conhecer a felicidade de ouvir sem esperar uma música boa pra cacete. se bem que acho que a gente sempre esperança uma música boa pra cacete.
linger acho que para ouvir de mim do começo ao fim e acho que um monte mais de gente acha isso a seu próprio respeito também.
creep, puxa, além daquela guitarra tem aquele falsete do caralho daquele puto e i'm a creep i'm a weirdo.
do fundo do meu coração corroborou. cada vez que vi você chegar, me fazer sorrir e me deixar, decidido, eu disse: nunca mais. esse nunca mais é pra sempre. e como sou eu que estou falando, devo reforçar que esse pra sempre é pra sempre de verdade.
me dei conta do tamanho do amor que tava sentindo por tudo com nem cinco minutos guardados. as luzes querem me ofuscar. eu, só quero que me ceguem! foi tudo crescendo. o pôr do sol, o avanço da maré, a paz, o amor.
pensei que fosse o céu e meus dias nunca mais serão iguais.
voltei para o apartamento acompanhada por espelho, e me pergunto se alguém que já perdeu pai e/ou mãe consegue ouvir sem chorar ou pelo menos se emocionar profundamente. chorei, pq eu troquei de mal com Deus por me levar minha mãe e lembrei disso.
daí chorei de novo.
ê vida boa
ê vida à toa
ê vida voa
comecei a fazer contas:
giovanni já vai fazer 5
meus irmãozinhos passaram dos 20
eu e moscas completamos esse ano a maioridade de nossa amizade
bea, quase 17. quase 17. quase 17 (tô repetindo pra ver se uma hora vai soar mais real)
faz 20 anos desde 1995. quase 20 anos até outubro e, porra, não passa. mas não impede a felicidade.
quase 20 anos. e falta lhe confesso que ainda hoje faz.
opa. esse não é um post triste e eu não estou triste.
acho mesmo que 2015 é o ano da reconciliação por aqui.
p.s.: eu realmente amo voltar para casa
terça-feira, 23 de setembro de 2014
saí de sala de aula ano passado jurando que não voltaria nunca mais. eu sabia que não era verdade. além de ser uma pródiga mudadora de ideias, ainda havia fatores além da minha vontade de controle.
posso dizer que não gosto mais de dar aula há uns bons anos. talvez 2010, 2009, por aí. e quando tento precisar os motivos, percebo que a aula em si não é um deles. é tudo culpa do diabo da estrutura.
pois bem, voltei há menos de um mês. não tem um final mágico e feliz em que redescobri a minha paixão e, repentinamente, voltei a amar. não. mas também não tem sido um sofrimento.
claro, preciso respirar fundo várias vezes ao dia. meus alunos tem 4 anos, e é sabido que crianças nessa idade são extremamente egocêntricas, sem contar que comem catota.
a escola tá um caos. a reforma, o descaso de sempre dá administração local, a falta de materiais adequados, de estrutura, a impossibilidade de praticar uma concepção de educação infantil me tiram do sério.
mas eu respiro.
tenho treinado a paciência. com os gestores, a boca fechada. não é covardia, apatia ou falta de vontade para a luta. é reconhecer que nesse momento, essa briga não vai resolver nada. ano que vem eles vão embora e daí, com os novos, a gente constrói e, talvez, sem que a briga seja necessária.
também treino a paciência com os alunos. minha praticidade as vezes exige mais do que eles podem me dar. me seguro, lembrando que gentileza e, principalmente, uma educação não opressora serão de maior utilidade do que gritos. me descompenso as vezes... tenho alguns lutadores de boxe na sala que me tiram do sério.
tenho pensado muito sobre essa máxima do paulo freire: quando a educação não é libertadora, o oprimido se torna opressor (mais ou menos isso). lidei na prática com isso, diariamente, no meu trabalho na secretaria. foi bom. me esforço mais para não ser uma opressora (minha educação não foi libertadora) e para trabalhar estimulando a autonomia dos meus pares (alunos incluídos no "pares").
o trabalho na secretaria foi bom, como já escrevi. tive inúmeros motivos para sair, mas o principal, esclarecendo quaisquer dúvidas que por ventura ainda existam: pq eu quis.
diferente do que ocorria há um mês, agora levanto com vontade de ir trabalhar. aprovada no concurso, espero ser chamada para o segundo cargo ano que vem. opa, mas o quê??? eu disse que nunca mais acumularia!
a vida muda. e besteira se manter irredutível em uma decisão tomada há 8 anos. preciso do dinheiro. bea cresceu e passa o dia fora de casa. acho um tédio ficar aqui nessa calmaria sem fazer nada.
lembrei daquele livro que li com uns 13 anos: "com licença, eu vou à luta". de novo e quantas vezes mais for preciso.
posso dizer que não gosto mais de dar aula há uns bons anos. talvez 2010, 2009, por aí. e quando tento precisar os motivos, percebo que a aula em si não é um deles. é tudo culpa do diabo da estrutura.
pois bem, voltei há menos de um mês. não tem um final mágico e feliz em que redescobri a minha paixão e, repentinamente, voltei a amar. não. mas também não tem sido um sofrimento.
claro, preciso respirar fundo várias vezes ao dia. meus alunos tem 4 anos, e é sabido que crianças nessa idade são extremamente egocêntricas, sem contar que comem catota.
a escola tá um caos. a reforma, o descaso de sempre dá administração local, a falta de materiais adequados, de estrutura, a impossibilidade de praticar uma concepção de educação infantil me tiram do sério.
mas eu respiro.
tenho treinado a paciência. com os gestores, a boca fechada. não é covardia, apatia ou falta de vontade para a luta. é reconhecer que nesse momento, essa briga não vai resolver nada. ano que vem eles vão embora e daí, com os novos, a gente constrói e, talvez, sem que a briga seja necessária.
também treino a paciência com os alunos. minha praticidade as vezes exige mais do que eles podem me dar. me seguro, lembrando que gentileza e, principalmente, uma educação não opressora serão de maior utilidade do que gritos. me descompenso as vezes... tenho alguns lutadores de boxe na sala que me tiram do sério.
tenho pensado muito sobre essa máxima do paulo freire: quando a educação não é libertadora, o oprimido se torna opressor (mais ou menos isso). lidei na prática com isso, diariamente, no meu trabalho na secretaria. foi bom. me esforço mais para não ser uma opressora (minha educação não foi libertadora) e para trabalhar estimulando a autonomia dos meus pares (alunos incluídos no "pares").
o trabalho na secretaria foi bom, como já escrevi. tive inúmeros motivos para sair, mas o principal, esclarecendo quaisquer dúvidas que por ventura ainda existam: pq eu quis.
diferente do que ocorria há um mês, agora levanto com vontade de ir trabalhar. aprovada no concurso, espero ser chamada para o segundo cargo ano que vem. opa, mas o quê??? eu disse que nunca mais acumularia!
a vida muda. e besteira se manter irredutível em uma decisão tomada há 8 anos. preciso do dinheiro. bea cresceu e passa o dia fora de casa. acho um tédio ficar aqui nessa calmaria sem fazer nada.
lembrei daquele livro que li com uns 13 anos: "com licença, eu vou à luta". de novo e quantas vezes mais for preciso.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
"eu ainda carregaria o anel por você"
hoje fui ler aquele livro para meus alunos e me senti muito triste quando li sua dedicatória.
e me senti mais triste ao ler a história.
não quero que vc me entenda mal. não foi raiva. tampouco culpa.
pq no que diz respeito a nós, embora eu me envergonhe tremendamente de alguns erros que cometi, consigo ver claramente o outro lado. nunca e em nenhum aspecto, essa história foi uma via de mão única. isso não significa que te culpe por qualquer coisa. eu entendo, e entendo de verdade. as vezes, acho que entendo mais do que vc, e principalmente, mais do que vc me entende. isso não é uma acusação, não entenda assim. só penso que vc pensa que todos os erros foram meus.
a gente se fala muito pouco.
eu penso em você todos os dias da minha vida e muito mais do que apenas uma vez em cada um deles.
tenho muita saudade.
não sei se dá pra voltar ao que era. eu queria que desse. não quero uma coisa formal, de eventos. quero o dia a dia. quero te mandar e-mails imensos por qualquer motivo bobo e receber respostas imensas que traduzam exatamente aquilo que não consegui dizer. que responda antes que eu saiba qual é a pergunta. preciso que vc me conte o que acontece na sua vida. pq a minha memória é tão fraca quanto a minha firmeza de opiniões, e eu começo a me esquecer de um monte de detalhes sobre vc que eu não deveria/queria esquecer nunca.
quero sentir raiva quando vc fizer alguma coisa contra vc mesma, embora eu espere que vc não faça mais isso. não quero sentir raiva pq me sinto de lado, ou injustiçada, ou esquecida.
quero dançar com vc até o dia nascer, deitar na grama e ficar em silêncio, conversar loucamente sentada numa mesa de boteco, ter uma escova de dentes na sua casa, rir das nossas piadas que a gente repetia infinitamente... (nossa história, como outras, é tão cheia desses bons clichês!)
eu queria aquilo que a gente tinha de volta.
e tudo bem se vc não quer. mesmo assim, eu precisava te dizer como me sinto.
eu tbm não espero uma resposta. eu só queria dizer e tentar ser honesta, pq esse é um lance difícil pra mim. não que eu seja desonesta. só me preocupo demais em agradar e em não fazer o movimento errado, sabe? tenho medo, sou cuzona. tô tentando melhorar, juro.
acabei de ler "as vantagens de ser invisível" e a sam, melhor amiga do charlie, dizia pra ele quanto ele precisa estar presente. e dizer e fazer o que deseja. foi meio que o me motivou a escrever isso aqui. pq faz muito tempo que não digo/faço o que sinto.
se estivesse escrevendo pra outra pessoa, não contaria do livro, pq essa é uma coisa nossa. aliás, tava planejando seu presente de aniversário e quero, claro, um livro no meio e me toquei, o que achei muito triste, que não sei mais quais os livros que vc já leu. estou procurando o do neil gaiman que te falei e sei que vc vai amar, mas se eu não achar, não sei qual outro pode ser. pq essa é mais uma das coisas sobre as quais a gente não conversa.
a gente não conversa.
é exagero? pq é tão pouco, tão espaçado. tenho lido naqueles mêmes do face que quando se é amigo de verdade, não importa o tempo distante, as coisas continuam como se o último encontro tivesse sido no dia anterior. não é assim com a gente. mas eu acho que a gente é de verdade, tão de verdade que a gente não consegue usar essa desculpa aí desse même. eu fico fantasiando que a gente se quer todo dia e por isso tem a mágoa pela distância. quer dizer, eu fico fantasiando a sua parte, pq a minha eu sei que é assim.
falando mais a verdade do que eu pretendia dizer no começo, eu finjo que não me importo. que tá tudo bem. mas não está. tá muito ruim isso pra mim.
eu espero que vc me perdoe e sei que não tem justificativa pras coisas que fiz.
eu te amo. e no fim de todas as coisas, eu ficaria bem se estivesse com vc.
e me senti mais triste ao ler a história.
não quero que vc me entenda mal. não foi raiva. tampouco culpa.
pq no que diz respeito a nós, embora eu me envergonhe tremendamente de alguns erros que cometi, consigo ver claramente o outro lado. nunca e em nenhum aspecto, essa história foi uma via de mão única. isso não significa que te culpe por qualquer coisa. eu entendo, e entendo de verdade. as vezes, acho que entendo mais do que vc, e principalmente, mais do que vc me entende. isso não é uma acusação, não entenda assim. só penso que vc pensa que todos os erros foram meus.
a gente se fala muito pouco.
eu penso em você todos os dias da minha vida e muito mais do que apenas uma vez em cada um deles.
tenho muita saudade.
não sei se dá pra voltar ao que era. eu queria que desse. não quero uma coisa formal, de eventos. quero o dia a dia. quero te mandar e-mails imensos por qualquer motivo bobo e receber respostas imensas que traduzam exatamente aquilo que não consegui dizer. que responda antes que eu saiba qual é a pergunta. preciso que vc me conte o que acontece na sua vida. pq a minha memória é tão fraca quanto a minha firmeza de opiniões, e eu começo a me esquecer de um monte de detalhes sobre vc que eu não deveria/queria esquecer nunca.
quero sentir raiva quando vc fizer alguma coisa contra vc mesma, embora eu espere que vc não faça mais isso. não quero sentir raiva pq me sinto de lado, ou injustiçada, ou esquecida.
quero dançar com vc até o dia nascer, deitar na grama e ficar em silêncio, conversar loucamente sentada numa mesa de boteco, ter uma escova de dentes na sua casa, rir das nossas piadas que a gente repetia infinitamente... (nossa história, como outras, é tão cheia desses bons clichês!)
eu queria aquilo que a gente tinha de volta.
e tudo bem se vc não quer. mesmo assim, eu precisava te dizer como me sinto.
eu tbm não espero uma resposta. eu só queria dizer e tentar ser honesta, pq esse é um lance difícil pra mim. não que eu seja desonesta. só me preocupo demais em agradar e em não fazer o movimento errado, sabe? tenho medo, sou cuzona. tô tentando melhorar, juro.
acabei de ler "as vantagens de ser invisível" e a sam, melhor amiga do charlie, dizia pra ele quanto ele precisa estar presente. e dizer e fazer o que deseja. foi meio que o me motivou a escrever isso aqui. pq faz muito tempo que não digo/faço o que sinto.
se estivesse escrevendo pra outra pessoa, não contaria do livro, pq essa é uma coisa nossa. aliás, tava planejando seu presente de aniversário e quero, claro, um livro no meio e me toquei, o que achei muito triste, que não sei mais quais os livros que vc já leu. estou procurando o do neil gaiman que te falei e sei que vc vai amar, mas se eu não achar, não sei qual outro pode ser. pq essa é mais uma das coisas sobre as quais a gente não conversa.
a gente não conversa.
é exagero? pq é tão pouco, tão espaçado. tenho lido naqueles mêmes do face que quando se é amigo de verdade, não importa o tempo distante, as coisas continuam como se o último encontro tivesse sido no dia anterior. não é assim com a gente. mas eu acho que a gente é de verdade, tão de verdade que a gente não consegue usar essa desculpa aí desse même. eu fico fantasiando que a gente se quer todo dia e por isso tem a mágoa pela distância. quer dizer, eu fico fantasiando a sua parte, pq a minha eu sei que é assim.
falando mais a verdade do que eu pretendia dizer no começo, eu finjo que não me importo. que tá tudo bem. mas não está. tá muito ruim isso pra mim.
eu espero que vc me perdoe e sei que não tem justificativa pras coisas que fiz.
eu te amo. e no fim de todas as coisas, eu ficaria bem se estivesse com vc.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
"você é a mulher que eu mais amo no mundo"
você sabe quando vai ter um daqueles dias.
começa na noite anterior. a insônia vem, mas não é do tipo apavorante. é do tipo me-aceita-que-dói-menos. pq o dia seguinte é desse tipo também.
daí ele chega. e como em tantas outras vezes, você deseja desligar a porra do despertador, cobrir a cabeça e fazer de conta que não existe.
mas você já tentou esse truque. e ele não funciona. o caralho da dor vai continuar ali, não importa se na cama com a cabeça coberta, ou se distraindo com aquela coisa idiota chamada trabalho.
com o tempo, você aprende a fazer o controle de danos. não enfia o dedo na ferida, mas também não trata o assunto como se ele não existisse. até conta uma coisa pra alguém aqui, relembra uma história lá. nada demais. nada que possa ser prolongado, nem esquecido.
você também aprende a não dar ouvidos. sempre vai ter aquele um que entende perfeitamente o que você está sentido, aquela outra que quer dar um passo-a-passo de como você deve agir, o porrinha louca que acha que o tempo cura, coitado, que engano, a vizinha que acha que é frescura. e daí você percebe uma coisa bacana: que, finalmente, não importa o que os outros sentem sobre o que você sente.
você volta pra casa. você nem queria muito, mas não tem outro lugar pra ir. olha o desenho pintado a dedo que ganhou de aniversário do seu afilhado, as fotos das suas amigas, a máscara para dormir que ganhou da sua prima, o mapa mundi cuidadosamente colado na parede pq um dia você vai ter coragem e dinheiro, o saquinho da concepção logo ali.
nada. você percebe que não tem mais nada de concreto. nenhuma foto, nenhuma peça de roupa, um rosário, um sapato, uma letra num caderno de receita.
irracionalmente, você briga com a sua filha por causa da leiteira com leite que ela esqueceu na geladeira. o cesto de lixo em cima do vaso sanitário, na verdade, mas é a mesma coisa e você sabe disso.
você deita e chora. chora por outros motivos, outras dores que também não são bobas. tem gente que acha que são, mas você não deve ligar pra isso pq, como já diria sua bisa, pimenta no cu dos outros é refresco. ela não dizia isso, mas ela dizia que se enfiar um no cu do outro não dá meio, ou que quanto mais a gente abaixa mais o rabo aparece, então acho possível que ela dissesse isso também. cobre a cabeça mas já não faz mais sentido, porque precisa buscar e ninguém encontra nada debaixo do cobertor.
você levanta de novo, e o choro é daquele que brota sem barulho, manja? é até gostoso, você já chorou gostoso? você entra no banheiro e sua filha diz que você está sorrindo um sorriso estranho.
no espelho você vê melhor. você recorda.
e depois disso, tudo fica meio arredondado. cada pedaço da casa fica macio.
você sabe. lá vem outra noite daquelas.
tudo bem. se não existe nem céu nem inferno, só sobrou um lugar, certo?
o lado de dentro.
começa na noite anterior. a insônia vem, mas não é do tipo apavorante. é do tipo me-aceita-que-dói-menos. pq o dia seguinte é desse tipo também.
daí ele chega. e como em tantas outras vezes, você deseja desligar a porra do despertador, cobrir a cabeça e fazer de conta que não existe.
mas você já tentou esse truque. e ele não funciona. o caralho da dor vai continuar ali, não importa se na cama com a cabeça coberta, ou se distraindo com aquela coisa idiota chamada trabalho.
com o tempo, você aprende a fazer o controle de danos. não enfia o dedo na ferida, mas também não trata o assunto como se ele não existisse. até conta uma coisa pra alguém aqui, relembra uma história lá. nada demais. nada que possa ser prolongado, nem esquecido.
você também aprende a não dar ouvidos. sempre vai ter aquele um que entende perfeitamente o que você está sentido, aquela outra que quer dar um passo-a-passo de como você deve agir, o porrinha louca que acha que o tempo cura, coitado, que engano, a vizinha que acha que é frescura. e daí você percebe uma coisa bacana: que, finalmente, não importa o que os outros sentem sobre o que você sente.
você volta pra casa. você nem queria muito, mas não tem outro lugar pra ir. olha o desenho pintado a dedo que ganhou de aniversário do seu afilhado, as fotos das suas amigas, a máscara para dormir que ganhou da sua prima, o mapa mundi cuidadosamente colado na parede pq um dia você vai ter coragem e dinheiro, o saquinho da concepção logo ali.
nada. você percebe que não tem mais nada de concreto. nenhuma foto, nenhuma peça de roupa, um rosário, um sapato, uma letra num caderno de receita.
irracionalmente, você briga com a sua filha por causa da leiteira com leite que ela esqueceu na geladeira. o cesto de lixo em cima do vaso sanitário, na verdade, mas é a mesma coisa e você sabe disso.
você deita e chora. chora por outros motivos, outras dores que também não são bobas. tem gente que acha que são, mas você não deve ligar pra isso pq, como já diria sua bisa, pimenta no cu dos outros é refresco. ela não dizia isso, mas ela dizia que se enfiar um no cu do outro não dá meio, ou que quanto mais a gente abaixa mais o rabo aparece, então acho possível que ela dissesse isso também. cobre a cabeça mas já não faz mais sentido, porque precisa buscar e ninguém encontra nada debaixo do cobertor.
você levanta de novo, e o choro é daquele que brota sem barulho, manja? é até gostoso, você já chorou gostoso? você entra no banheiro e sua filha diz que você está sorrindo um sorriso estranho.
no espelho você vê melhor. você recorda.
e depois disso, tudo fica meio arredondado. cada pedaço da casa fica macio.
você sabe. lá vem outra noite daquelas.
tudo bem. se não existe nem céu nem inferno, só sobrou um lugar, certo?
o lado de dentro.
domingo, 9 de março de 2014
where you lead, I will follow
feeling lonely and so cold
all you have to do is call my name
and i'll be there on the next train
where you lead, carole king
faz um tempo que eu me acostumei com a ideia que minha família sou eu e a bea. sabe, com quem você pode contar para absolutamente tudo?
só que não é assim.
eu sou um ser turrão. orgulhosa. que finge que não sente para fazer de conta que a dor não existe. que não relembra para evitar a saudade. que briga para ter motivo para justificar afastamentos. que inventa na cabeça motivo para lonjuras.
sem bancar a coitada, convenhamos que já perdi demais (vocês também). mãe, pai, irmã, entre outros, e eu afasto a saudade a maior parte do tempo porque ela me sufocaria se eu permitisse. ficaria mergulhada nela e não existiria. o que existiria de mim seria só saudade.
daí criei nos últimos anos um mecanismo bem burro, mas eficaz.
porque a gente não perde as pessoas só na morte. separações de casais, afastamentos de amigos, família que a gente fica distante, tudo isso, são saudades que vão crescendo aqui dentro.
e sabe, a culpa é minha. sou tão cuzona que me imponho distâncias para não sofrer.
me imponho distâncias quando as outras pessoas não demonstram amor da mesma maneira que eu, tipo, como meus irmãos.
eu os amo. tenho vontade de grudar neles, em cada um. eles são meus heróis. queria jantares semanais, cafés diários, conversas telefônicas longas.
mas as pessoas são diferentes e sentem diferente.
eu quero voltar no tempo. quero almoços de domingo com a família completa, a parte viva completa, tios, tias, irmãos, vó, primos, primas.
não dá, eu sei. a vida tomou outro rumo. as brigas apartaram. as separações... separaram. as pessoas fizeram outras escolhas, e por mais que eu deteste, elas tinham todo o direito do mundo!
e eu odeio eles por isso também. como uma criança mimada, eu me revolto com o fato de que as pessoas foram viver suas vidas. de que tem gente nova nas histórias. eu gosto das gentes novas. mas eu não gosto de mudança.
quando o tio foi embora semana passada, naquele jipe cheio de coisas, construir a vida dele em outro lugar, eu chorei. egoísta, achei que todo mundo fosse ficar aqui sempre. quando o outro tio diz que vai embora, meu coração fica minúsculo. é egoísmo também, eu sei. quando a tia namora um cara que eu não sou fã, eu sofro também. como uma criança mimada.
eu posso contar com a minha família. toda ela. com o thiago que vive me socorrendo como se fosse ele o irmão mais velho, com o matheus que vive pendurando no telefone contando todas as suas coisas e ouvindo as minhas, com o silêncio presente do henrique, com o saulo que foi ficando e que nem dá pra lembrar que um dia ele não esteve, com as minhas avós, sempre fortes e resmungonas, com a minha tia que mesmo puta comigo não me deixaria na mão, com meus tios que sempre substituíram meu pai, cada um fazendo um pouco, até o tio cá que pendurava no boteco um lanche depois da natação, mesmo sem ter dinheiro, para que eu não ficasse sem comer.
o abraço apertado da tia tó que levou uma eternidade ontem e que podia ter levado outra, porque eu queria mais! meus primos, duas criaturas tão fofas, decentes, amorosas. minha prima que eu devo tanto, nossa, e ainda assim me trata com tanto carinho. e eu só cansei de continuar blasé, fazendo de conta que essa não é outra saudade que me sufoca. me sufoca! criança mimada.
a minha família é tudo isso. com tudo isso eu posso contar, mesmo quando eles brigam entre eles, mesmo quando eu brigo com eles, mesmo quando, como agora, parece que não vai juntar nunca mais.
o que eu entendi ontem é que junta de novo sim. nem as lonjuras separam. nem as brigas.
e eu prometo que não vou mais me fazer de durona. com ninguém
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