sábado, 17 de outubro de 2015

frescura é o teu cu

minha avó, outro dia:
"quando vc perdeu sua mãe, vc ficou mal, mas vc ficou bem. mas quando vc perdeu seu pai, vc chegou no fundo do poço".
foi quase isso. pq o fundo do poço veio depois.
sabe aquela frase clichê que vive circulando pelas redes sociais?
péra, bateu uma ausência agora. e esqueci a frase.
o nome disso é efeito colateral.
já volto nessa parte.
eu perdi um monte de gente. uma irmã, um pai, uma mãe, um filho, dois avôs, um amigo. me perdoem se eu estiver  esquecendo alguém. mas com quase 40, a gente começa a não lembrar mesmo de todo mundo que já morreu. e no meu caso, parei de usar tbm eufemismos. partiu, se foi. não. morreu é a palavra. não existe nenhuma delicadeza nisso, nem faleceu me serve mais.
tbm me vitimizei um monte. tentem entender um pouco. quando a maioria esmagadora das pessoas ao redor tem todo o núcleo bonitinho, e vc é a única que sobrou do seu inicial (pq tive outro depois), não dá pra ser assim tão superior. "pq, Deeeeeuuuus, justo comigo?" é uma pergunta muito comum.
vamos voltar à colocação da avó.
meu pai se suicidou lentamente. depressão, ao que parece, é uma coisa genética. ele tinha insônia, minha avó insônia e depressão, eu idem (como vcs estão exaustos de saber). não sei sobre minha bisavó, mãe dessa minha avó da qual herdei todas as manias, mas sei que ela trepava muito (como escrevi antes, estou sem paciência para delicadezas). pq na minha cabeça, só se faz 8 filhos, quiçá mais, trepando pra cacete.
quantas digressões. meu foco hj parece pior que nunca.
enfim, fiquei pior com a morte do meu pai do que com a morte da minha mãe por dois motivos: 1) a do meu pai foi escolha e 2) a gente sempre teve uma relação não-relação complicadíssima.
a morte dele eu entendi como desamor. eu já tinha entendido, depois de uma filha de 8 anos na época, que pai e mãe não tem que ser super heróis. mas dado todo o nosso histórico, eu me senti um grande cocô, o grande monte de merda, nome carinhoso pelo qual minha outra avó passou a infância me chamando. eu não era boa o suficiente para ele querer ficar vivo por mim. o grande umbigo aqui demorou a entender que o problema era dele com ele, não comigo. tem dores que são grandes demais e suportá-las exige muita coragem e força. ele não teve.
desenvolvi depressão, pânico, ansiedade, dependência de substâncias químicas. e enquanto isso, fazia de conta que tudo corria bem. eu destroçava cada pedaço de mim: minha aparência, meu corpo, meu relacionamento com as pessoas que amava, meu trabalho, minha cabeça. bebia para me divertir, misturava com psicotrópicos, fazia merda, sentia ressaca moral e depois repetia todo o processo.
fiz terapia, fui à cartomante, caí no samba, beijei muito.
e desde então tenho vivido ciclos.
me recuperei. piorei de novo. melhorei, piorei, melhorei, piorei... e toda vez que melhoro, acho que vai ser a vez definitiva.
ano passado, comecei a ficar ruim de novo, depois de dois anos relativamente bem. digo relativamente pq passar dois anos sem fazer sexo não os torna exatamente excelentes. como diz aquele comercial da clínica pra homens, sexo é vida.
bem, ano passado. primeiro a insônia voltou. depois, aquela força diária para levantar da cama. vc pode achar que "ah, puta frescura, todo mundo tem dificuldade de levantar principalmente se for muito cedo". mas não é isso. é quase incapacitante. é medo do dia. é dor. é pânico de alguma merda vá dar novamente errado e não, vc não qr levantar para ver isso acontecer.
insônia, dificuldade em levantar. descontrole emocional. ah, os gritos, as brigas exageradas por motivos pequenos, vc sabe a vergonha que é lidar com isso depois que passa?
dificuldade de sorrir. falta de vontade de ver as pessoas. de sair de casa.
eu vi que, se quisesse sobreviver aos dois cargos, precisaria de novo de um psiquiatra. e pela primeira vez, antes que a coisa chegasse ao limite e eu fosse parar de novo num p.s. psiquiátrico, busquei ajuda.
queria um milagre, confesso. lembrei dos primeiros tempos de fluoxetina em que ela, sozinha, conseguia me fazer dormir e levantar cantando no dia seguinte. de quando tomei escitalopram e ele não fodeu com o meu cérebro, e imovane e ele me fazia dormir sem perder as energias no dia seguinte. até mesmo o amado e odiado rivotril eu desejei, pra esquecer abençoadamente por algumas horas o resto do mundo.
não aconteceu nada disso. aconteceu um psiquiatra que me atendia por 10 minutos, que nunca soube nada da minha vida e apenas me medicou. e cada vez que eu voltava dizendo que não estava funcionando, ele aumentava a dose ou trocava por uma medicação mais cara. em média, R$600,00 mensais só com remédios contra a depressão e insônia.
eu piorei. dormia, mas dormia bêbada de remédios, falando besteiras para os outros pelo celular. acordava todo dia rezando para não ter tocado no telefone ou no computador. levantava, mas só eu sei o esforço que isso custava. era uma sucessão sem fim de "vc precisa levantar, taís", que invariavelmente resultava em atraso. não levantei muitas vezes. tenho 18 faltas completas no trabalho por causa disso e algumas faltas-hora.
parei de falar com as pessoas. sorria no trabalho, mas eu sabia que eram sorrisos forçados, e eu me esforçava pq gosto de pessoas. todos os dias, a caminho da escola, ia ouvindo "tá escrito" no celular. sabe, a música brega? "erga a sua cabeça, meta o pé e vai na fé/ mande essa tristeza embora/ pode acreditar, um novo dia vai raiar/ sua hora vai chegar".
a porra do novo dia não raiava nunca.
parei de sair aos finais de semana, de ver a família. só queria ficar na minha cabeça, sem mexer um músculo do rosto.
vc acha que era questão de vontade? vai tomar bem no meio do olho do seu cu, seu/sua filh@ da put@. cansei desse papo de "é só querer".
fui parando de comer. perdi quase 15 quilos, e se por um lado foi bom pq eu estava com 100 quilos, eu sei que não foi saudável.
eu já falei das dores no corpo? eu tinha dor em tudo, há 6 anos. sim, começou em 2009, quando o evento conhecido como O Grande Pé Na Bunda aconteceu. eu já tinha recebido um diagnóstico de fibromialgia, mas as vezes a gente simplesmente não quer acreditar que tem uma coisa que não tem cura.
as dores esse ano pioraram. o trajeto, as horas em pé, as horas de trabalho e de trajeto foram me abatendo mais.
os remédios, cada vez piores.
os efeitos colaterais começaram a surgir. uma tremedeira frenética, que dificultava levar o garfo à boca. tonturas que me faziam esquecer quem eu era. ausência total e absoluta de criatividade, eu não conseguia escrever, não conseguia preparar aulas.
o pior dia foi o que me tranquei no banheiro da escola, com uma baita diarreia. eu queria deitar no chão e chorar, queria não sair de lá nunca mais, queria gritar socorro e implorar que alguém me ajudasse, que fizesse toda aquela dor parar.
mas a vida tem jeitos misteriosos de agir. num dia especialmente doloroso, minha assistente de direção da escola da manhã me levou à sala dela e orou por mim. não é a minha fé, mas ela insistia que a fé dela me curaria. eu, que achava que estava disfarçando bem, estava era disfarçando bem mal.
na mesma semana, cansadas de me ver morta-viva, minhas colegas de trabalho da tarde me arrastaram para um centro. era dia de tratamento médico, e a cética aqui passou por uma cirurgia espiritual. pq eu faria qualquer coisa, até tomar meu próprio mijo pra fazer aquilo passar.
ter gente olhando por mim sem me julgar me fortaleceu. um pouco. o suficiente para eu perceber que o psiquiatra não estava rolando e começar a procurar outros tratamentos.
fui num homeopata. a cética aqui, de novo, resolveu acreditar em bolinhas de açúcar. já que estava acreditando, ia acreditar que tudo é possível e pronto. mas não foi assim. o homeopata me receitou alguns químicos e me ajudou a tirar os psicotrópicos aos poucos.
fui na reumatologista e na proctologista. juntas, uma complementando o diagnóstico e os exames da outra, perceberam que eu estava mais carente do que apenas sexualmente (que era o que eu achava): intestino irritável levou a perda de vitaminas e cálcio, que levou às dores e à depressão, que levou de volta ao intestino irritável... um círculo. e círculos são infinitos, a serpente nunca pára de comer a própria cauda.
e os psiquiatras e psicólogos pelos quais passei nunca desconfiaram dessas coisas pq eu tinha, emocionalmente, todos os motivos do mundo para estar arrasada. no fundo do poço. cortando os pulsos, e isso não é força de expressão. vc já teve seu coração disparado o tempo todo? sabe o que é um angústia que além de esmagar seu peito faz sem estômago doer e, de novo, não são eufemismos?
eu estava assim o tempo todo.
daí, comecei a tomar vitamina d e cálcio e florais. comecei a meditar todos os dias. dentro da minha crença na vida e numa bondade cósmica, comecei a orar. o homeopata fez o impensável: me deu plantinhas para dormir e a receita de um tarjado para que eu sentisse segurança. confesso que a síndrome de abstinência foi de foder com a vida, mas até ela passou. a crise, não a vida.
faz quase 3 meses. tenho dias de mau humor, como todo ser humano normal e escroto. mas são poucos. durmo. levanto. vejo minha família. aos poucos, revejo os amigos. sorrio todos os dias e ouço qualquer música. até voltei a cantar e cozinhar e fazer exercícios físicos, ainda que comedidamente.
meu coração não dispara mais e nem meu peito está esmagado. meu estômago arriscou uma dor, mas foi infecção mesmo. passou.
hoje fui ao samba. fiquei com medo de dar para trás, não ir, mas fui. não sambei. ainda tenho medo. mas ouvi as músicas. e isso me fez feliz.
ontem fui à praia. entrei no mar e encarei as ondas, de tamanhos diversos, de frente e com coragem. caí, ralei o joelho, ri muito. desci a serra com o cu na mão, mas enfrentei  o medo. na estrada, caminho de volta, até consegui quase chegar ao limite de velocidade.
estou sóbria, de álcool, há dois meses. de remédios, acho que há uns 10 dias. e nesses dias, não fiz nenhuma besteira.
faz pouco tempo... mas a gente sempre acha que a última batalha vencida contra a depressão será a última.
torce aí. quem sabe é essa.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

e ele vem pra me dar mão

que nem criança, bem hoje.
manja criança contrariada? quando tiram o brinquedo, ou dizem não pro doce que ela tanto quer?
daí a criatura chora, chora, chora e... dorme. quando acorda, parece que nada aconteceu.

mas a birra continua as vezes, né?
a criatura tá brincando tranquilamente com o amiguinho, tudo em paz. só que ela quer mudar as regras do jogo e, quando o amigo não quer, toma a bola na melhor pegada de "a bola é minha e se não for do meu jeito, ninguém brinca".
ninguém brinca. ponto.

a criança vai e brinca sozinha. corre, pula, se estica, deita no chão fazendo anjo na neve (mas com os pelos das gatas, que isso aqui tá um negócio), canta, se esgoela, e chora de novo pq tá brincando sozinha.

volta no amiguinho e o amiguinho não quer saber mesmo de mudar a regra da brincadeira e pra falar a verdade, nem se importa mais com qualquer brincadeira que seja. "fica aí sozinha com a tua bola".

e a criatura chora, chora, chora... e dorme. quando acorda, percebe que não tem mais o amiguinho pra brincar.
mas criança esquece rápido, né não?

deve ser por isso que já sou uma pessoa grande.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

"embala eu, embala eu"

gosto da cor rosa. ainda que 99,99% da população considere brega.
tbm gosto muito de borboletas. ainda que 70% da população considere brega.
gosto de batons vermelhos e unhas vermelhas e cabelos raspados, ainda que 100% da população me considere louca.
amo bolos de massa folhada, desde que provei o primeiro, aos 6 anos.
ventiladores são meus xodós, guarda-chuvas tbm. coleciono-os feliz, de tipos e tamanhos variados.
acho uma delícia colocar a agulha no vinil e ouvir, antes da música, o barulho da poeira.
amo trabalhos manuais, que exijam muito dos meu braços taurinos.
amo tbm meu cérebro, que ainda que não entenda tudo, se acha capaz de solucionar qualquer problema.
gosto de gente que dá instruções inteiras, que não usa meias palavras.
gosto de gente que se permite sair das próprias ideias fixas a respeito de si e de outros.
amo o pai nosso e a ave maria. tbm curto meditação e velas e incensos e pontos de umbanda com uma boa batucada.
e meu divino espírito santo. "que o perdão seja sagrado/ que a fé seja infinita/ que o homem seja livre/ que a justiça sobreviva".
livros salvaram minha vida. e os gibis e revistas e jornais e todos os rótulos de embalagens que já passaram pelas minhas mãos.
amo os momentos de nada, de nem pensar. de bater papo cabeça, de bater papo bobo, de contar piada suja e de contar piada infame.
gosto de gente que gosta principalmente de gente. como a moça ucraniana do livro "nenhum homem é estrangeiro". ao ver uma criança sendo atacada pela klu klux klan, se intrometeu entre o menino e o tiro. questionada por um dos seus, do seu povo, sobre ter arriscado sua vida e a do seus filhos para salvar uma criança que nem é dali, responde que "nenhuma criança é estrangeira".
ontem eu ouvi de alguém sobre como o centro está "horrivelmente tomado por haitianos". ontem tbm fui questionada sobre o significado de fronteira, e o quanto isso está relacionado para mim a uma questão de barreira.
quando o mundo todo deveria ser de todo mundo.
gosto de tirar os sapatos. de escorregadores infláveis.
gosto da rebeca, que lá em macondo comia terra e gosto do florentino ariza, pra quem amor da alma é da cintura pra cima e amor do corpo é da cintura pra baixo.
e gosto muito da minha vó.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

eu dei-lhe a flor de minha vida, vivo agitado

mas é claro que não está bom. pq se vc toma dois valiuns e ainda assim não consegue dormir, as coisas vão mal. muito mal.
mal pq o sono é essencial. vc aí, que dorme feliz e facilmente todos os dias, pode até achar que é mimimi, e só por achar isso, quero que vc se foda.
eu ando buscando razões, pq me ensinaram que sempre tem razões, mas:
- não durmo até tarde. em verdade, acordo as 4:30
- trabalho para caralho. 12 hs por dia, contando deslocamento entre escolas. se considerar período fora de casa, são 14 hs intensas.
-não tenho nenhum problema novo. tenho os de sempre, e achava que tinha aprendido a lidar com eles.
eu sei que esse assunto é recorrente na minha vida. é que é ele, é foda. é minha falta de paz.
por enquanto são 3 semanas. que estão me exigindo muita determinação pra sair da cama, pra dar conta do trabalho, pra manter o bom humor, pra ser uma professora boa.
e mesmo assim, tem dia que tenho esperança. como hoje. pq cá estou eu, tontíssima de sono, mas incapaz de fazer o coração se acalmar o suficiente.
emagreci nas primeiras três semanas. hoje, agora, depois da meia noite,comi uma panela de arroz com feijão. antes tentei meditar e em outros momentos, tentei yoga e relaxamento.
fiz ginástica. musculação, dança.exaustei.
tirei elétricos e eletrônicos do quarto. o problema é que não dá pra me tirar do quarto.
sinto um desejo feroz por rivotril. tenho medo de ver alguém na rua com uma cartela ou vidrinho e atacar a pessoa, roubando dela um paraíso que é meu. resisto ao rivotril legalmente conseguido pq ele diminui minha capacidade intelectual.
tenho outros medos. já ouviram dizer que pessoas morrem por privação de sono? como, caralho, estou viva?
me sinto ingrata, claro. existem doenças piores que insônia. sim, doença. e ela me deixa louca.
ah sim, já tentei a maconha, mas só funciona comendo. e se você me conhece, sabe que não devo comer doces, muito menos a noite.
eu preciso dormir em paz, gente. desse jeito, não  tá dando.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

vontade de ter muita vontade

vejo esses dias todo mundo feliz.
assistindo os desfiles, desfilando, saindo em blocos, indo beber com os amigos, caindo na vida com estilo.
e lembro que já fui assim.
meu último bom carnaval, de sair, ir pra rua, curtir, acho que foi 2008. depois desse, fui deixando. esperando estar feliz, esperando emagrecer, esperando, esperando, esperando... até hoje, acho que espero alguma coisa pra cair na folia de novo.
eu sei que é a vontade que me falta. não sei o que faço pra recuperar a vontade, a disposição.
as vezes, acho que é a solidão que me impus.
essa mania de querer ficar sozinha, de aceitar poucos convites, poucas pessoas. de afastar os outros.
durante um tempão usei a falta de tempo, de energia, de saúde emocional como desculpa. mas agora, acho que só a saúde emocional é real.
pq eu me tornei uma pessoa muito da medrosa. muito desconfiada. preocupada em ser decepcionada e machucada. comecei a achar que reduzindo o círculo ao mínimo possível, as chances de me magoar são menores.
burrice.
pq as chances de me magoar sempre vão existir, ainda que matematicamente falando, meu pensamento esteja correto.
e não é esse medo que deve conduzir uma vida! estou fazendo tudo errado.
não me envolvo com ninguém há mais de 3 anos. isso, 3 anos sem sequer beijos. sem me apaixonar, sem me interessar, sem me sentir atraída. até arrisquei umas tentativas, mas na hora h, fugi, bem assustada.
o medo não é só de relacionamentos amorosos, é de amizades também. hoje em dia, confio em pouquíssimos, dá pra contar nos dedos de uma mão só. família também.fui reduzindo a proximidade até que a intimidade real só fosse compartilhada com poucos.
tudo pq eu tenho medo. e tenho medo pq, sinto muito se isso é dramático, tô machucada pra caralho.
como faz pra mudar tudo e voltar a ter vontade, paz e confiança nas pessoas?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

We can beat them, just for one day

Desde novembro, o que vem dominando por aqui é a ansiedade.
Mas não é aquela ansiedade normal de todo dia. A bicha é bruta, malvada mesmo, do tipo que faz ver a batida do coração, que carrega o sono embora por dias, que angustia fechando a garganta.
Em nome dela, fiz e não fiz muita coisa. Fui impaciente, grossa, agitada, chorona, fechada. Não me diverti tanto quanto poderia, remoedora que sou. Passeei menos, amiguei e amei menos também.
As desculpas todas de trabalho: remoção, atribuição, chamada do concurso, escolha de cargo novo, exame médico de admissão, acúmulo de cargos e a lista pode bem ser infinita se eu insistir nela.
A despeito da ansiedade, tudo vinha dando certo, até hoje. Que deu errado e eu sabia que daria, mas fiquei ignorando de propósito o que sabia.
A primeira reação foi a de desesperar e chorar. Afoguei a mágoa, como de hábito, num pastel de catupiry com milho verde e um copo de suco de laranja, me enfiando em seguida na biblioteca atrás de livros para fugir da realidade.
Mas existem os amigos e o zapzap. E com saudade, fui abraçar duas queridas no metrô, que me levaram pra uma pizza com outra querida e Bea de lambuja. No meio de tanta conversa, de Cartagena, Bogotá, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraty, Mongaguá, fui desapegando da ansiedade e acalmando o coração.
De coração acalmado, lembrei que o sofrimento é grande demais por uma coisa que desejo tão pouco e com tantas ressalvas. Dinheiro é importante e posso dizer que depois de quase 10 anos na pindura, quiçá a vida toda, é muuuito importante. Ou no caso, urgente. Mas não é a coisa que mais importa pra mim. Nunca foi. Pra que regredir agora?
Sim, eu preciso e não desisti. Só que, talvez, o não ouvido hoje tenha sido uma chacoalhada boa pra lembrar eu mesma sobre quem eu sou, e que essa coisa que nem é tão importante assim, não merece todo o sofrimento que vem causando nos últimos meses. Não merece o sofrimento que eu mesma venho me causando nos últimos meses.
Eu sei que amanhã não vou acordar diferente de hoje, calma e equilibrada. Mas quando estiver caindo naquela roda-viva de angústia e ansiedade, vou me beliscar, respirar e lembrar que, se no fim não der tudo certo, a gente acha outra saída.

domingo, 18 de janeiro de 2015

nesse janeiro, só consigo dizer o óbvio:
mas que calor
mas que ansiedade
mas que preguiça